Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Música Infantil

Desde que tivemos a reunião com a coordenadora da sala do jardim de infância que o Guilherme frequenta, procuro explorar modos de desenvolvermos com alegria e juntos a sua linguagem. A música foi mais um meio ao qual me dediquei, e que surte muito efeito no nosso pimpolho.
Com ele, exploro também o meu Universo. Recuperei músicas adormecidas na minha infância. Voltei a cantar letras que aprendi quando era tão pequena quanto ele. E com elas, voltei a lembrar-me de momentos felizes e menos felizes de quando era uma pequena menina. Sugiro que visitem o Cancioneiro da página Alfarrabio, ou as letras do site Angelfire ou ainda as músicas em vídeo no You tube.

Alimentam hoje as vossas lembranças de criança? Como está a vossa Criança Interior - esquecida, ou bem lembrada? Triste ou feliz? Diz-se em português, que cantar faz bem à Alma, "Quem canta, os seus males espanta".

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Ida à Logopedia, para diagnóstico

Na passada quinta-feira, fomos com o Guilherme à terapeuta de Logopedia sugerida pela médica, para se fazer o diagnóstico. Levou cerca de hora e meia, em que falámos acerca do percurso do Guilherme não só em termos de linguagem, mas também a nível do restante desenvolvimento.
Para nós, foi mais uma vez revelador. O Gui tem desenvolvido a linguagem lentamente. Mas tem desenvolvido. E, desde que estamos na Alemanha, nota-se um maior crescimento, também nesse aspecto. Por exemplo, a minha cunhada comentava comigo ao telefone que nas férias em Agosto, notou realmente essa diferença da linguagem.
Pois é!, coincide o período em que o Guilherme esteve sem episódios de doença e o progresso linguístico dele. Ora, a terapeuta despertou a nossa atenção para esta relação. Sendo que quase todos os momentos, em que o Guilherme se encontrou doente, foram do foro respiratório, esses podem ter interferido com a sua audição. Não ouvindo nas melhores condições, também não produzia resultados em termos da aprendizagem da língua.
Agora, perante os dados que recolheu, a terapeuta irá escrever um relatório à médica e agendar as sessões terapêuticas, sendo que o melhor seria duas vezes por semana. E ela adiantou desde já que vai trabalhar sobretudo ao nível da aquisição de vocabulário, para que ele se possa exprimir e comunicar, mesmo que não diga correctamente todas as palavras. Essa será provavelmente uma segunda etapa deste trabalho.
Eu comprometi-me em trabalhar uma hora por dia, com o Guilherme em casa, o vocabulário por grupos temáticos. Claro que eu vou dedicar-me sobretudo ao nível da língua materna e possivelmente o Kevin com o alemão.
Já o começámos a fazer com recurso a materiais disponíveis na internet. Ele gosta desse meio de aprendizagem e nós podemos ludicamente aprender mais. Sim, porque eu também estou a aprender vocabulário. Um exemplo é o dos animais. Acreditam que me dei conta que sei o nome de poucos animais? Com certeza que ambos vamos progredir. Este trabalho de equipa entusiasme-me.

Conhecem a Logopedia, a Terapia da Fala, a Psicolinguística e a Fonaudiologia? Dedicam-se a conhecer o mundo infantil, pediátrico, da criança? Como é na vossa Comunidade? As crianças têm facilmente de acesso a este tipo de terapias?

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Prevenção da Gripe

Na passada terça-feira, postei aqui o texto: Semana sem aulas. Razão? Doença de alunos. Escrevi-o num tom humorado e, possivelmente, poderá ter passado a ideia de que a Gripe A se cura ou previne apenas com Vitaminas. Realmente não é esse o caso, mas ajuda.

Ora, numa pesquisa breve, podemos encontrar várias sugestões de prevenção da Gripe e passo aqui algumas informações a esse respeito:

- Manter uma alimentação adequada: legumes, fruta e outros produtos alimentícios que tenham vitaminas, bem como outros elementos essenciais ao bom funcionamento do nosso sistema imunitário;

- Desenvolver a actividade física: preferencialmente trabalho aeróbico ao ar livre, como caminhada rápida;

- Repousar o necessário para restabelecer o equilíbrio do organismo;

- Reduzir o nível de Stress;

- Beber muitos líquidos;

- Evite aglomerações de pessoas sobretudo em ambientes fechados;

- Abra a janela, e deixe o ar entrar em casa, no trabalho e nos transportes;

- Não compartilhe objectos pessoais, como copos, talheres, toalhas....;

- Sempre que tossir ou espirrar proteger a boca e o nariz com um lenço de papel;

- Deitar no caixote do lixo os papéis utilizados;

- Lavar as mãos com frequência, usando água e sabão (Atenção! Lavar as mãos em toda a sua área, inclusive entre dedos);

- Se não tiver as mãos lavadas, evite mexer nos olhos, nariz e boca;

- Limpe frequentemente as superfícies e os objectos mais sujeitos a contacto, com os produtos de limpeza habituais;

- Se viajar, deve proteger a zona da boca e do nariz, podendo fazê-lo com um lenço, ou então com uma máscara;

- Se tiver sintomas de gripe (febre acima dos 38º e tosse ou dor de garganta, bem como outro sinal de uma gripe normal):
- deve manter uma distância de mais de um metro das outras pessoas,
- deve manter-se em casa e evitar locais com muitas pessoas,
- deve telefonar para a linha de atendimento permanente a esta Gripe;
- evite cumprimentar com abraços, beijos ou apertos de mão (o mesmo acontece se estiver com alguém com sintomas) e/ou usar máscara;

- Só use medicamentos com a orientação médica;

- Em caso de dúvida procure o seu médico ou unidade de saúde;


Estas são algumas informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde.

Pessoalmente, eu tomo todos os dias, em alternado, cápsulas de Propolis com vitaminas, e ampola de Equinácea com vitmanina C. Sendo que chá e rebuçados de Gengibre também são bons para a "desinfecção" do organismo. Quando me sinto cansada, organizo-me para poder dormir mais, descansar, bem como aumento a dose de Propolis e Equinácea, para o dobro do recomendado, pois essa recomendação (conforme me explicaram) é para servir como suplemento alimentar e não como "medicamento". Atenção!, convém que confirme se pode tomar estes produtos e em que dosagem. Esta informação que vos passo é pessoal e responsabilizo-me apenas pela sua aplicação em mim.


Por favor, se existe mais algum modo de prevenção que conheça, indique na zona de Comentário. Agradeço desde já.
Claro, que todos os outros também são bem-vindos.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Lista de Espera, aqui, sim

Aqui também há listas de espera de 1 a 5 meses. Sabem para quê? Para Logopedia (Terapia da Fala) orientada por um excelente médico.
Já fomos à médica pediatra para a informar da análise da coordenadora e solicitar a credencial para o Gui ser acompanhado.

Quanto à descoordenação motora do Gui, a pediatra diz que isso é resultado da nossa cultura. Os meninos cada vez se mexem menos. E para tal ela sugeriu que ele fosse passear, quando está bom tempo, para o ar livre, ora nos parques infantis, ora no bosque. Aconselhou que o inscrevêssemos em ginástica para criança ou dança. E até indicou que aqui perto existe um parque infantil indoor. Chamou-me a atenção para deixar de ser muito protectora e deixá-lo subir, montar, descer, saltar e fazer todos os movimentos livres sem ter medo que ele cai, que ele se aleije. Pois isso, faz parte do processo de crescimento. (E, pelos vistos, tanto do processo de crescimento dele, como meu.)

Quanto à língua, a médica não pôde fazer nenhuma análise, pois o teste que ela faria é em alemão e essa não é a língua materna. Além de que esses testes fá-los a crianças mais velhas. Mas perante o facto de o Guilherme ter quase 4 anos e mesmo na língua materna não ser bem percebido, bem como pelo facto de salivar muito e engasgar-se com sólidos e líquidos, e um ou outro pequeno factor, ela encaminhou-nos para uma excelente profissional dessa área. A questão é: para ter sessões de manhã (altura que eu tenho aulas), vai demorar cerca de um mês. Para ter sessões à tarde, pode levar 5 meses.
No que respeita ao freio da língua, ela acha que não devemos cortar, pois não interfere em demasiada, sendo essa questão tratada com especialista da fala.

Para mim, o importante nesta história é que não passou ao lado a dificuldade do Guilherme, que nos é dada a possibilidade (quase sem custos) de a ultrapassar e que nos são dadas soluções, sugestões, de como trabalhar com ele, em casa. Eu sinto, deste modo, que estamos todos a trabalhar como uma equipa e a pensar mais do que no imediato. Jardim de Infância, pais e médicos atentos ao seu desenvolvimento.
É inevitável fazer comparações com a minha experiência em Portugal. No meu país, sinto que estamos sempre a trabalhar para resolver problemas do momento, sem planear o futuro e focarmo-nos em soluções. Além de parecer que cada agente da formação de uma criança tem medo da crítica e desaprovação do outro, por isso fecha-se num gueto, sem passar informação, sem comunicar, sem interagir, no fundo, sem cooperar.

Domingo, Novembro 22, 2009

Cuidar do Gui, com mais consciência

Tenho andado dedicada ao estudo e ao Guilherme. Agora, temos tarefas diárias a cumprir. No início de Novembro, tivemos uma reunião com a coordenadora da sala dele e ficámos muito satisfeitos com o seu trabalho. Chamou-nos a atenção para certos aspectos do Gui e sugeriu algumas soluções. Do modo como o fez, ficámos muito esclarecidos e confiantes. Ora, o Gui tem uma certa descoordenação motora, os seus movimentos não fluem e a sua musculatura não está trabalhada. Isso acontece ao nível do corpo e também ao nível da boca/ fala. O Guilherme sabe as palavras e percebe na maioria das vezes o que lhe dizem, mas tem dificuldade em se expressar. Ele fala atabalhoadamente, como se embrulhasse a falar, sobretudo falando rápido. Perante uma frustração, reage com agressividade, batendo e gritando. E perante o facto de não conseguir expressar-se vai diminuindo a sua alegria natural. Razão para tal acontecer? O Guilherme não tem actividades que estimulem os seus músculos corporais e faciais. As actividades diárias em casa não requerem que ele fale e que ele se movimente, como ver TV, fazer puzzle, desenhar e pintar... Raramente caminha, quer numa ida ao supermercado, quer no bosque. Sugestões? Fazer todos os dias um jogo com o Guilherme de modo a que ele tenha de interagir e falar, desenvolver também a língua. Caminhar com o Gui sobretudo no bosque para que ele possa trabalhar o seu corpo, nomeadamente em terreno acidentado e com tantas possibilidades de movimentos. Visitar um terapeuta de Logopedia ou de Ergoterapia.

Agora, o que a coordenadora não sabia é que o Gui nasceu com o freio da língua curto e na altura disseram apenas que existia a hipótese de o cortar, mas que ele poderia mesmo viver assim que possivelmente o que teria como consequência era falar à sopinha de massa. Outro aspecto que ela desconhecia, é que o Guilherme nasceu com um pequeno buraco um pouco acima do ânus. O pediatra na época desdramatizou a situação, pois ficámos receosos da Espinha Bífida. Por insistência, e desta vez através do médico de família, conseguimos uma consulta no Hospital D. Estefânia. A consulta teve alguns contratempos e já veio tarde. Contudo fizeram uma ecografia e alguns testes físicos, considerando que o Guilherme apenas tinha uma fissura sem contacto directo com o exterior e que em nada o afectaria. Caso houvesse alterações, qualquer médico habilitado poderia resolvê-las com uma pequena cirurgia.

Ora, agora perante tanta informação, é ir à médica pediatra do Guilherme e a trabalhar com ele de modo a que tais dificuldades sejam ultrapassadas e ele possa progredir. Como a coordenadora indicou, é melhor que seja feito nesta fase do que mais tarde, estando ele já na escola.

Ainda falou de mais aspectos, um deles foi o facto do Guilherme falar dele como uma terceira pessoa. Algo que é constante. Segundo ela, e concordo em grande parte, isso tem a ver com a ignorância de si, enquanto Ser com corpo, com forma. Ele não se sente, por isso fala de uma entidade que ele reconhece muito bem, mas não lhe pertence.
Chamou-nos a atenção para o excesso de comida. Brincando, disse que a lancheira do Guilherme era própria de um homem das obras. A pediatra aqui já nos tinha alertado para o peso do Gui. Mas bem devem saber que em Portugal, por exemplo as avozinhas, gostam muito que os meninos comam e comam bem. "Ele está mais magrinho, não está?!", perguntava uma das avós quando o viu pelo vídeo do Messenger.
Ora, sem exercício e a comer como estava, era por mais natural que ele estivesse no limite de peso para a idade dele e que não tivesse a musculatura trabalhada... Ah, e eu ainda relaciono o facto de ele ter episódios de dificuldades respiratórias, com a falta de exercício aeróbico, como caminhar, saltar... e o respirar ar saturado em excesso, pois se ele não tem muitas actividades exteriores, não respira ar puro, do exterior. E tudo aqui à frente dos nossos olhos, e parecia tão natural o curso das coisas. Espanto-me (positvamente) como o Ser Humano funciona.

Do modo como a coordenoradora falou, ficou tudo tão claro. Nada mudou no que fazíamos, mas tornou-se muito mais claro. O que mudou, foi o que agora fazemos, com mais consciência.

Sábado, Novembro 21, 2009

Pelo sistema de saúde, nós desculpamos

... num dia do final de Outubro, fui "analisar" o funcionamento do Hospital de Haan. Quando fui buscar o Gui à escola, na brincadeira com ele, não dei conta que estava um espigão de aço no chão e bati com toda a força, com o peito do pé, no dito elemento sentado no solo. Doeu-me e aguentei até à noite. Quando o Kevin, pelas 22 horas, chegou, eu fui ao Hospital. Antes disso, o Kevin telefonou para lá e o senhor disse-lhe "É bom que venha depressa, porque senão eles vão dormir."
Quando lá cheguei, não havia movimento nenhum na zona do Hospital, inclusive no parque de estacionamento, sobre o qual paguei 1,50 euro (uma hora). Entrei pela entrada que supus ser a correcta e um senhor ia a sair. Falou-me em alemão, sendo que eu não percebi e ele fez o gesto de bater ao vidro para o porteiro me atender. Foi o único "utente" (que nem sei se era!) com o qual me cruzei.
O Sr. Porteiro sabia quem eu era, pois o Kevin tinha-lhe dito que eu não falava bem alemão, quando telefonou. E ainda fez a gentileza de falar de novo com o Kevin pelo telemóvel, pois eu não percebi o que ele me estava a pedir.
Andei pelos corredores completamente vazios, com macas e cadeiras de rodas sem ninguém. Sentei-me na pequena zona de espera, e lá veio a enfermeira que já sabia que eu não falava alemão e que fez a gentileza de chamar o médico e informá-lo também da minha dificuldade linguística.
O médico falou comigo entre alemão e inglês, bem como a enfermeira. Fiz um RX, com outra profissional, que também foi muito gentil. O médico, entretanto tinha falado com o Porteiro (que sabia que eu era portuguesa), e quando regressou, para me esclarecer acerca do resultado do RX, enunciou um "Senhora" muito simpático.
O pé não estava fracturado. Apenas tinha que colocar um creme, uma ligadura e ficar com o pé ao alto. A enfermeira fez esse tratamento e despedi-me com simpatia de todos.
Demorei apenas uma hora, nisto tudo. Chegada a casa, antes de adormecermos, rimos de tudo isto. Imagino se tivesse sido em Portugal. Primeiro ralhavam comigo por o acidente ter sido às 14 horas e eu ter ido para as Urgências às 22 horas, sem ter ido a um médico. (Que normalmente só me atenderia dali a um mês. Ou então, iria ao privado, pagar um X dos grandes). Depois o médico gozava comigo por não saber falar a sua língua e talvez ainda fosse buscar um colega para rirem em conjunto. A seguir vinha o segundo raspanete por ter ido entupir as Urgências com um pé que nem sequer estava partido. Sem falar, que demorava o quadruplo do tempo para ser atendida e tinha de andar às voltas para encontrar um lugar de estacionamento ou então pagar a um "arrumador".

Realmente, com estas condições é difícil não desculpar o mau humor dos alemães.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Orgulho de Ser de Onde se É

Eu acho que é correcto chamar a atenção a outro co-cidadão, pois se vivemos numa comunidade e somos todos humanos, chamar a atenção parece-me colaborar, cooperar... para que todos vivam bem. Discordo totalmente do modo como o fazem por aqui, com arrogância e até agressividade. Penso que isto acontece mesmo entre alemães. No entanto, parece-me que ao verem que se trata de estrangeiros ainda evidenciam mais essa atitude de arrogância e agressividade. Não sei como é com os restantes, mas eu e o Kevin não comemos e calamos. Também não entramos no jogo de comportamento deles. Tanto eu como o Kevin respondemos calmamente, mas indicando que têm de ter calma. A única diferença entre mim e o Kevin é que ele fica a remoer e com vontade de lhes bater (lembram-se como reagiu à tentativa de roubo do carro já há uns anos, não?). Eu respondo, refilo entre nós e depois passa.

Nós estávamos na sala de espera do médico. Eu com o Kevin e o Gui. E sabem que as crianças não gostam de estar quietinhas?! Sabem também que o nosso Guilherminho tem pilhas Duracell!? Para além de falar alto, para o que lhe chamei a atenção; lembrou-se de subir para cima das cadeiras e gatinhar sobre elas. O Kevin disse-lhe para descer e segundos a seguir, um senhor de cerca de 50 anos com uma barriga do tamanho de um barril de cerveja e um ar de Bulldozer, diz (naquele tom que já mencionei!) "Não é só olhar. Ele tem de sair." Eu fiquei a observar, e chamei o Gui para ao pé de mim. E o Kevin respondeu-lhe com assertividade, "Está bem, o senhor já me chamou a atenção, mas agora não vai continuar a falar comigo assim." e ele continuou a rosnar, sendo que o Kevin com a mesma firmeza respondeu-lhe de novo que ele não lhe falava naquele tom. O senhor saiu a bufar da sala para o consultório do médico. Por ali, quem ficou raivoso foi o Kevin, indignado pelo tratamento. Eu perguntei-lhe "Se eles entre si são assim, esperavas que o senhor te desse beijinhos, era?" E aos poucos regressámos à nossa vida maravilhosa.

Comigo aconteceu na última semana dois episódios, mas nada semelhante ao episódio anterior. Um foi com os pais de um amiguinho do Gui que olhou para a nossa Laterna (para comemorar o São Martinho, as crianças fazem com os pais uma Laterna em papel.) de um modo quase repugnante, como se estivessem a ver um fantasma e perguntaram entre eles "O que é isto? Estragou-se!" e eu apenas disse "Não está bem feita, mas é minha.", sorri e peguei na nossa Laterna. E continuei, tranquila e serena sentada ao lado deles.
E o outro episódio, foi num momento em que eu ia a atravessar uma rua sem trânsito e não me dei conta que estava a atravessar junto a um semáforo vermelho. Ouvi de imediato uma voz, que pelo tom só podia vir de uma pessoa perfeitíssima, "Muito bem, a fazer isso com uma criança." Voltei-me para trás, olhei-a e disse "Eu não vi, ok?" e segui em frente.

Estas cenas fazem-nos por vezes pensar que não somos daqui, quando já nos sentimos integrados. Abanamos com estes episódios. E a verdade é que não somos mesmo! Com muito orgulho sou Portuguesa, nascida e criada em Portugal. Mas nem por isso, permitimos que nos tratem como não tratamos os outros. Além disso, num país da Europa, temos tanto direito a viver, trabalhar e estudar aqui, quase como os próprios nativos.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Ave ou Planta?! A minha sobrinha.

margarida
s. f.
1. Ornit. Ave aquática, espécie de merganso.
2. Bot. Nome vulgar de várias plantas asteráceas, entre as quais a margarida-dos-prados ou bonina.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
© 2009 Priberam Informática, S.A.

As plantas asteráceas são uma "família de plantas, geralmente chamadas compostas". A plantinha que hoje comemora um ano de vida faz parte da família maravilhosa dos Ferreira Silva. Uma família apenas composta de Ana que é Bela, de João+Carlos e uma Joaninha, quando ainda reinava a ideia de que neste reino mais nenhuma ave ou planta viria a nascer. Pois é, nasceu há um ano. E, uns longos meses antes, ficava eu histérica numa esplanada em Carcavelos, gritando de felicidade que ia ser de novo tia, passados 11 anos da primeira experiência. Levei alguns minutos a recompor-me da histeria, mas a felicidade prolongou-se e ainda aqui palpita no meu peito, por ter vindo ao Mundo, mais um ser lindo, que se chama Margarida.
Estamos perto de a voltar a ver. No Natal, estaremos todos juntos. E quando falo com o Gui da Margarida, ele faz uma carinha mimada e diz "Ela é tão pequenina, a Margarida! Ela é bebé." Mas eu já fui informando que a Margarida cresceu e quando a virmos com certeza que já anda, balbucia qualquer coisa e manifesta as suas vontades, por meio de gritos e outras coisas mais. Confesso, também lhe digo às vezes, nos momentos em que ele começa a comportar-se como um bebé, "Tu és a Margarida, és!?" e ele diz logo que não. Das poucas vezes que disse "Sim!", respondi-lhe "Ok, então vamos para a caminha. A Margarida dorme muito." Ups, desistiu da ideia.
Esta ave que também pode ser planta, esta menina linda trouxe à nossa família novas dinâmicas. Os pais, a irmã, os avós, os restantes familiares e amigos ganharam mais um momento de transformação e de bênção. Embora não consiga acompanhar diária e presencialmente a minha segunda sobrinha, como fiz com a Joaninha, fico tão feliz que ela tenha vindo ao Mundo e que seja uma menina espevitada, crescendo com saúde e alegria.
Hoje, está a Margarida de parabéns e os seus pais, por terem aceite esta aventura, que de surpresa, lhes foi proposta. Como se dizia num programa de TV, "Prova superada!". Felicito-vos pela família linda, da qual já temos tantas saudades.


"A Vergonha e a Injustiça Não Existem na Natureza"

Gonçalo M. Tavares